BIOFILIA: ESTAMOS OBCECADOS COM O DESIGN BIOFÍLICO?

BIOFILIA: ESTAMOS OBCECADOS COM O DESIGN BIOFÍLICO?

 

A biofilia é um assunto em pauta. Uma macro-tendência. E, talvez mais do que isso, uma necessidade real para a arquitetura.

Vivemos cada vez mais entre paredes, telas e deslocamentos urbanos. Talvez seja por isso que a biofilia tenha se tornado um dos temas mais falados na atualidade da arquitetura.

Maaaas… antes de definir termos ou teorizar sobre design biofílico, vale a pena entender algumas coisas.

O princípio

A biofilia nasce do princípio de que nós, seres humanos, temos uma necessidade inata de conexão com a natureza. Tudo bem que parece um tanto óbvio, que como seres vivos, somos parte de um todo e temos, ou deveríamos ter, uma relação direta com tudo que possui vida.

Apesar dessa evidência, o progresso também cria necessidades materiais que nos afastam da origem. Sem dúvida, ele traz conforto e comodidade, e acabamos entrando no automático de tudo aquilo que facilita a nossa vida.

Também não quero simplificar o tema, como se todos tivessem essa escolha. Sabemos que não é assim. Para muitas pessoas, a vida na cidade é apenas uma luta diária pela sobrevivência. Mas esse já é um outro Substrack (substrato de discussão).

Obsessão pela biofilia

Acredito que essa obsessão pelo biofilia (será que eu estou exagerando?), funciona como um cabo de guerra no contraponto da vida contemporânea, que não temos tempo de estar em um contato legítimo com a natureza.

Mas será que estamos diante de uma tendência… ou de uma tentativa de compensar nossa distância da natureza?

Funciona como uma tática de compensação válida, já que a nossa vida se passa na cidade, onde na maior parte do tempo estamos entre paredes ou em deslocamento dentro de veículos. Então, se não podemos ir até ela, trazemos a natureza para dentro do ambiente, simulando artificialmente as estratégias naturais e valorizando elementos e sistemas da natureza.

Isso só é possível porque nosso cérebro aceita ser “iludido” por essas técnicas. De certa forma, tentamos recriar aquilo que perdemos no cotidiano. É nesse ponto que entram os estudos da neurociência aplicada à arquitetura, mostrando como certos estímulos naturais influenciam nossa percepção, nosso comportamento e nosso bem-estar.

Mas esse já é assunto para outra newsletter.

O fato é que somos resultado de uma longa história evolutiva de percepção ambiental.

Que bom, dessa forma, o design biofílico ganhou espaço na nossa profissão, uma vez que efetivamente impacta no bem-estar das pessoas, nas escalas do urbano, arquitetura e interiores.

Na verdade, o uso dessas estratégias nos projetos arquitetônicos não é exatamente uma novidade. O que mudou foi a forma como passamos a nomear e organizar esse conhecimento.

A base teórica

Depois que o biólogo Edward O. Wilson popularizou o termo biofilia, e pesquisadores como Stephen Kellert estruturaram o conceito de design biofílico, a arquitetura começou a dar nome aos bois… ou melhor, a construir uma base teórica para práticas projetuais que promovem saúde e bem-estar ao estabelecer vínculos com a natureza.

“Um dos grandes desafios do nosso tempo é trazer a experiência benéfica da natureza para o projeto dos edifícios, das paisagens, das comunidades e das cidades contemporâneas.”

Stephen Kellert

Hoje, o conceito aparece em diferentes contextos:

      • projetos de arquitetura residencial

      • escritórios e ambientes de trabalho

      • estratégias de valorização imobiliária

      • discussões sobre saúde mental e bem-estar

      • sustentabilidade e cidades mais humanas

    Ou seja: a biofilia deixou de ser apenas uma ideia inspiradora e passou a ser um argumento de projeto, científico, sustentável, cultural e também de mercado.

    Talvez, o verdadeiro desafio seja compreender como os espaços podem restabelecer uma experiência mais profunda de pertencimento ao ambiente natural.

    Agora deixo uma pergunta para vocês: Estamos apenas incorporando a natureza como linguagem estética… ou realmente projetando espaços que restabelecem essa conexão?

    Ju e Anne

     

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